…sobre o número um


IMG_1681
…E lá se foi o número UM!

Fecha-se um ciclo para outro abrir…e assim eu comecei o ‘processo’ de renascer…
É hora de fazer um balanço, em jeito de ‘dar notícias’ 😉
Foi duro! 🙂 Nada é fácil neste caminho…mas ajuda olhar sempre em frente sem tropeçar.

Durante todo o processo uma palavra reverberou tantas vezes no meu coração, substituindo o tum-tum habitual, e passei a ouvir resi-liência…resi-liência…e tive tempo para ir buscar lá bem no fundo da memória como foi que eu ‘aprendi’ a ser resiliente.

Com uma infância tão pobre não foi difícil descobrir a fonte que eu precisava para me descobrir como ser ‘resiliente’…Lembrei-me, sobretudo, do Natal, porque eu não compreendia porquê o Papai Noel chegava à casa de todas as crianças, menos à minha, e não me lembro de ficar triste por mais do que 15 minutos, afinal, eu sempre tive as minhas irmãs…brinquedos pra quê? 🙂

IMG_2280

E por ter ido buscar ‘tão longe’ na história da minha vida, ganhei de presente memórias deliciosas, já quase esquecidas e desbotadas, da minha infância…foi bom sentir o cheiro de flores das gavetas e das roupas tão bem cuidadas pela minha mãe, o cheiro do pão de batata quentinho com manteiga, do bolinho da vovó vespertino que deixava a casa toda com cheiro de canela, lembrei também do cheiro dos cabelos das minhas irmãs  🙂 e da relva recém cortada da Quinta da Boa Vista enquanto corria e brincava com o meu pai, descalça…um dia pisei numa abelha e lembro-me tão bem da dor que senti…mas também lembro por ter chorado, não pela dor, mas porque matei a abelha 🙂 …realmente coitadinha da abelha… 🙂

Lembrei do aquário gigante que tínhamos na sala, e das horas e horas que ficava sentadinha numa almofada observando os peixinhos prá lá e pra cá…tinham cores fantásticas!

Lembrei-me do sabor da pipoca de canjica, do sacolé de coco e do cajá manga! 🙂

Com o cajá, veio a memória da casa dos avós e da sensação deliciosa de andar descalça o dia todo, pisando lama e barro, subindo em árvores e sentindo o vento na cara quando andava de charrete com o vovô…

Com os sentidos todos baralhados (efeito da poção mágica) restou-me as lembranças…e eu tive muito tempo…enquanto o meu corpo não respondia, deitado na cama, envenenada…um sono…profundo.

Eu via mal, os ouvidos estavam ‘esganiçados’ tudo o que ouvia era grito, ficava baralhada e assustada. O paladar mudou, tudo o que comia tinha um travo ‘metálico’, e com a pele tão sensível uma etiqueta na roupa parecia uma unha encravada…

Foi assim durante uma semana, e depois comecei a despertar daquele ‘sono químico’, satisfeita, feliz por ter conseguido quis comemorar: fui lanchar com Gio na pastelaria do bairro, voltei a contar histórias antes do soninho delas, brinquei de boneca com a Juju…

IMG_1678

…e calcei as minhas novas sapatilhas!!! Convidei a melhor companhia de sempre e lá fomos nós, eu e o amor da minha vida, dar uma corrida por Aveiro 🙂 A sensação de nascer deve ser mesmo esta, ver tudo, ouvir, sentir, provar tudo como se fosse a primeira vez…e que delícia se sentir viva! 🙂

Os dias que seguiram souberam a ‘normalidade’, sem a minha doce rotina no trabalho (o que tem me custado muito!) dediquei-me 100% à minha família e à minha casa…fiz penteados nas minhas filhas para irem lindas para a escolinha (eu nunca tinha tempo para grandes penteados), preparei o café da manhã com calma e sentei-me com elas para comer e falar de manhã (muitas vezes eu tomei o café da manhã em pé), organizei gavetas e gavetinhas. Passei a almoçar com a família e adorei me arranjar todos os dias para receber um elogio do Miki, que nunca falhou…mesmo tendo aquele ar de lunática com cor de batata-doce 😀

…e pintei…e foi libertador! 🙂 A arte me levou para os lugares que eu pintava e eu gostei de entrar nos quadros que pintei 😉

Toda esta história foi permeada por mãos amigas, trocas de e-mails, SMS, Facebook, aplicativos no telefone, abraços calorosos, beijinhos repinicados, energia cósmica!

Os Amigos São Essenciais!

As palavras de incentivo foram fundamentais nesta trajetória! Eu recebi amor, afeto, ajuda, amizade de todos os lados e por isso…

…Eu continuo seguindo o caminho que escolhi…feliz…porque não estou sozinha!
Que venha o número DOIS!

Resiliência
s.f. Figurado. Habilidade de se adaptar com facilidade às intempéries, às alterações ou aos infortúnios
Anúncios

3 thoughts on “…sobre o número um

  1. Pingback: Pormenores – A Chuva | Mãe Borboleta

  2. Mãe borboleta!!acabou minha gata!!!pra quem já passou por tantas essa agora vai ser mais branda no nome de Jesus!👏🏽🙏Deus te abençoe sempre e já deu certo graças a Deus que tudo passa 💋💋💋😍😍😍

    Liked by 1 person

  3. …e lá foi um…é melhor contar ao contrário! Menos um!
    Gostei muito de ver que continua a transparecer alegria e aquele dom especial que a Vera tem (e de que não me canso de falar a toda a gente que conheço)” explode” em tudo o que escreve! Força querida! Eu por cá continuo a acompanhar diariamente, e torço para que nunca perca esta força e coragem!

    Liked by 1 person

Gostou? Comenta ;)

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s