Pijamas, Sorrisos e Histórias


 

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(Foto Reprodução/Instituto Oncoguia – Brasil/2016)

 

Embora seja uma história que ninguém gostaria de contar, estes anjos de pijamas – que ocupam a oncologia pediátrica nos hospitais- contam, sem esquecer os sorrisos, as suas histórias de dor… 

dores no corpo e na alma!

…São histórias de luta e determinação escritas por quem acabou de nascer, e por quem, geralmente, não abre mão da vida -em nenhuma hipótese…brigam pela vida como gente grande, e aprendem cedo demais o significado da palavra SOFRIMENTO.

 A dor, a privação (das suas vidas normais, das suas rotinas, da família e dos amigos) e o convívio precoce com a presença da morte faz com que cresçam… amadurecem anos em poucos dias, e mesmo assim eles sorriem…e que nós não tenhamos a ingénua crença que estas crianças sorriem porque desconhecem a sua condição…

Sim!…eles sabem tudo…com seu jeito de criança saber tudo – eles sabem os porquês daqueles tubos incómodos no nariz, eles sabem que aqueles remédios amargos, as agulhas, os cateteres, as cirurgias podem salvar-lhes a vida…eles sabem o suficiente para continuarem a lutar sem trégua.

A realidade destes anjos de pijamas é uma realidade muito desviada da realidade que mereciam…de fato ninguém merece sofrer com esta doença tão hostil, mas as crianças merecem ainda menos…

Salas frias, técnicas, brancas, imaculadas…livres de toda bactéria ou qualquer outro visitante indesejável…Máscaras! E não são as dos heróis que eles veneram…

As letras são aquelas que eles deixam de aprender e os números são aqueles que os identificam nas cabeceiras das macas…

A escola está longe, os amigos também…muitas vezes são privados inclusive da presença dos familiares mais próximos…

As suas roupas, que deveriam ser coloridas, à prova de lama e de tinta, são pijamas com o logotipo do hospital.

O cheiro de pão quente com manteiga que deveria cheirar pela manhã, é substituído pelo cheiro a álcool que desinfecta a sua pequena mãozinha para a primeira agulhada da manhã.

As gomas, rebuçados, gelados –que toda criança deveria ter direito! É substituído por um saco onde lê-se: SORO. Um soro, muitas vezes ‘batizado’ com os remedinhos poderosos que matam-nos por dentro deixando um rastro devastador pelo caminho.

As trancinhas, laços de cabelo, o gel para fazer grandes topetes são substituídos por chapéus e lenços coloridos, estar sem cabelo é uma grande chatice, mas não é, de todo, o mal maior.

Pior mesmo é sentir dores, enjoos, tonturas…sentir-se cansado e não conseguir terminar o puzzle apesar da vontade. Deixar os desenhos a meio porque adormeceu com o lápis nas mãos, acordar sobressaltado porque teve um sonho ruim…Sentir medo…

Ter que conviver com tantos monstros internos…e crescer com eles.

Conhecer de perto a solidão…

Estar privado do calor do seu lar, da sua cama fofa com lençóis delicadamente lavados com perfume de flores, e depois esticados pelas mãos carinhosas da mamã, que acaricia a cama, como acaricia o próprio filho, e assim, prepara o ninho para a sua cria.

…e este ninho vazio aperta o coração desta mãe que sangra.

E este ninho, provisoriamente vazio, já não tem as cores dos lápis que colorem os desenhos que enfeitam a geladeira…já não se consegue ouvir os porquês e a tagarelice sem fim…o que se ouve neste ninho é o silêncio…é a saudade…é a vontade de voltar tudo atrás e reescrever esta história de uma forma diferente.

Uma vida tão pequena, interrompida…uma pausa, um tempo para curar, inevitável, cruel, avassalador…e mesmo assim, conseguir enxergar além da dor, e ver brilhar sorrisos de esperança, fé, resiliência, perseverança… Sem ingenuidade, com total conhecimento do seu estado, as crianças permanecem otimistas, felizes, capazes!

Que seja breve, anjos de pijamas…que seja leve, apesar de toda a dureza…que seja definitivo e que nada mais atrapalhe o curso normal da sua história, e que esta história tenha cores, amores, calor, humanidade, que a saudade exista das pessoas que lá ficaram no hospital, mas que nunca mais precise voltar a vestir aquele pijama sem cor…e que no fim desta história esteja escrita a palavra:

Feliz!

 

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Miuka Borboleta (versão do conto Mãe Borboleta para crianças com câncer)

 

Miuka é um novo conto escrito e pintado com muitas cores…

Tenho dedicado cada letra e cada traço à todas as crianças que andam a lutar -esta luta desigual – contra o câncer…desejando muito vivamente que a sua força, perseverança e otimismo ganhe esta batalha.

“Miuka é uma criança feliz!…

·         Pisa poças em dias de chuva

·         Coleciona tesouros encontrados na rua

·         Cantarola sem parar

·         Anda sempre aos saltinhos

·         Pergunta tudo sobre tudo!

Mas um dia Miuka começou a sentir-se assim… tão…sei lá!…

E a dor que sentiu, transformou para sempre o seu ser…

Miuka nunca mais foi a mesma criança que era…”

 

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Jessica, 4 anos, fotografada por seu pai, Andy Whelan (Foto: Reprodução/Facebook)

 

Para Jessica Whelan e todos os anjos de pijamas do mundo!

 

http://www.dailymail.co.uk/femail/article-3896582/Andy-Whelan-shares-heartbreaking-images-four-year-old-daughter-Jessica-s-brave-cancer-battle-s-given-just-weeks-live.html

 

 

 

 

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