Mãe Borboleta de 1ª Viagem :)


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Aveiro,  08 de Setembro de 2007.

Para a Minha Giovana:

Estou na reta final de uma fase extremamente importante na minha vida…

Sinto-me apta a articular palavras sobre todo o processo que me tornou a pessoa que sou agora.

Uma coisa já posso adiantar: ESTÁ SENDO MÁGICO!

Indo para a faculdade, de manhã bem cedo, guiando a Seat Ibiza preta e cantando junto com o rádio que tocava um cd do Rappa, eu senti borboletas no estômago…Sentia que o café expresso que tinha tomado momentos antes de sair não tinha descido ainda 😀

Tive que parar o carro, e vomitei o café! 😛 As minhocas começaram a passear na cabeça, soprei o pensamento e continuei seguindo com a minha doce rotina…

Esta história começou no dia doze de Janeiro, quando (às sete da manhã) levantei-me logo após ouvir os passos, ainda sonolentos, do Miki. Ele saíra do banho quando eu já tinha o teste instantâneo em punho, preparado para responder a pergunta que ambos fazíamos há vários dias.

Pousei aquele pedacinho de plástico (com um químico qualquer no seu interior) no lavatório do banheiro e ficamos os dois, cabeça com cabeça, olhando para aquele pequeno visor que deveria mudar de cor. Foram dois intermináveis minutos, os maiores das nossas vidas…

Para uma resposta negativa – um traço, para a resposta positiva – dois traços.

Enquanto ‘aquilo’ ia tomando o seu formato definitivo ia passando um filme na cabeça…Todas as etapas que nos fizeram chegar até ali. Um misto de romance, ternura, medo da responsabilidade, amor infinito, vontade de gritar ou de calar – estávamos gélidos…Mas o coração palpitava forte.

DOIS TRAÇOS!

Entreolhamo-nos e um sorriso nervoso e preso não saia dos nossos rostos.

Abraçamo-nos e ficamos assim, quietos, por alguns instantes. Cada um de nós mergulhados nos seus pensamentos…

“E agora?” – perguntei eu, como se o Miki tivesse a resposta para aquilo que eu queria saber: qual é o próximo passo? O que vai acontecer agora? E daqui há três, quatro, nove meses??? Quais são as fases, as dores, as felicidades que terei?

Eu agora vou ser mãe…

MÃE!

Quanta responsabilidade existe neste nome, e a felicidade que vem embutida no pacote – MÃE- aprendi vivendo o dia-a-dia, até hoje.

Um pânico miudinho misturado à uma felicidade sem fim.

Ainda com aquele sorriso no rosto, sem poder me dar a resposta que eu queria, Miki disse:

“Agora tudo começa a mudar, a começar pelas nossas férias de Julho” – e deu uma risota gostosa dando continuidade ao seu dia.

“Bola pra frente!”

Ai…a tão invejável praticidade dos homens! 😀

Meses antes tínhamos planejado nossas tão merecidas férias de verão: iríamos passear pela Europa de ‘mochilão’. Conhecer algumas das principais cidades e toda a cultura própria de povos tão diferentes separados por alguns quilómetros.

Amesterdão, Londres, Espanha, Alemanha…Entre outras tantas.

Terminaríamos nossa jornada na Cidade Romance: Paris… EuroDisney, Torre Eiffel, Louvre…Je T’aimes…

Ficaram os Je T’aimes… Todos os dias! E a certeza de que a partir daquele instante mágico nossas vidas mudariam para sempre – para melhor.

Eu ganhara o melhor presente que um homem pode dar a uma mulher.

Qual jóia, qual carro, qual flor exótica, qual bombom, qual presente seria mais importante e valioso na vida de uma mulher?

(…)

Mais do que um filho? …não existe.

A oportunidade de continuarmos vivos por anos, décadas, séculos…Guardados numa combinação genética que dá origem à vida e às histórias.

Nossa história de amor perpetuada num ser que terá um pouco de cada um, características físicas que jamais nos deixarão esquecer que vieram de dentro de nós…E os seus valores serão as maiores heranças que poderemos deixar.

Depois do primeiro baque vieram as comemorações: ligação para as irmãs e mamãe no Brasil…Miki também não se conteve e passou a manhã espalhando a novidade para os seus amigos e familiares.

Aquele sorriso que estava nos nossos rostos?

Sim…Permaneceu estampado como pintura, como se fosse a moldura da nossa alma.

E então chegou o dia de sermos práticos (e claro, essa parte teve a iniciativa do Miki, eu ainda era só emoção). Fazer planos, contas, começar a colocar os pés no chão para esperar pelo nosso rebento da forma mais confortável possível. E assim foi:

Plano de saúde, quarto do bebé, enxoval, carro maior, compras, fraldas, escolas, cadernos, livros… E tudo o mais que envolve a parte financeira, parte esta que assumi o papel secundário, já que o Miki sempre fez e faz muito bem o seu papel de protagonista…Extremamente organizado e meticuloso lá foi ele montando um quebra cabeças sem fim, e felizmente estivemos sempre numa posição bastante confortável neste aspecto.

Meu papel era sonhar, e eu me permiti fazer isso mais do que fiz a vida toda… Sonhava com o quartinho decorado, com as roupinhas minúsculas penduradas no armário, com os carrinhos de passeios, mamadeiras, brinquedos, um carro menos esportivo e  mais espaçoso, onde coubesse tudo o que mais amo nesta vida: A MINHA FAMÍLIA!

Pouco a pouco todos os sonhos foram se concretizando, e cada uma das fases foram vividas com muita intensidade e prazer.

Não posso dizer que foi tudo uma maravilha…As delícias podem ter uma parte amarga, mas nem por isso deixamos de degustá-la. E era assim que eu pensava quando me assustava na frente do espelho.

O peito cresceu, a barriga estufou e a balança agora vive num processo de ascensão mensal.

Até me acostumar com as minhas novas formas demorou um pouco, mas nunca deixei de admirar o poder da natureza, aliado aos elogios diários do Miki cheguei a me sentir a mulher mais linda (e importante) do mundo!

Em momento algum deixei de ser desejada pelo meu amor, e isso me elevava a estima para algures no infinito que jamais alguém pisou.

E as mudanças de humor? Ai que terror…

Ao mesmo tempo que ri, chora e vice-versa.

Nunca se sabe quando se vai acordar feliz ou triste, muito menos os motivos que nos levam a ter tais sentimentos. 🙂

É certo que estar longe da família e dos amigos que sempre estiveram comigo não ajudou nada…Muitas vezes chorei baba e ranho, com um aperto dolorido no peito por querer ter aqui ao meu lado a minha mamãe e manas – e como elas fizeram falta!…Em vários momentos pensei que se estivesse com elas ao meu lado tudo seria diferente, que as coisas teriam uma cor mais brilhante e que com certeza os sorrisos viriam mais soltos. As dúvidas que fui tendo no meio do caminho (aquelas mesmas que assolam a vida de qualquer pré-mamã) foram sendo sanadas através da Internet, cursos para novos pais e revistas (até então nenhuma das minhas amigas tinha tido filhos 😛 )…Cheguei ao extremo de escrever uma lista de dúvidas para tirar quando ligasse para minha mana Vaninha.

Muitas vezes eu quis beijinhos na barriga, miminhos, cafuné das minhas queridas que estão do outro lado do oceano. De uma forma ou de outra fui resolvendo minhas carências, seja por telefone, Internet, telepatia ou sinais de fumaça.

A falta e a saudade do meu pai estiveram presentes em momentos cruciais…Quando me sentia sozinha (por mais rodeada de pessoas que estivesse) ou simplesmente quando quis ouvir palavras de incentivo e alto-astral, era no meu paizão que pensava. Sem contar as vezes que me imaginei mostrando a árvore genealógica à minha filha; na parte que fala do Vovô Veimar tenho gravado e ensaiado o que falar, quero que ela saiba que sempre terá um vovô algures no universo que olha por nós – o vovô Estrelinha…A estrela mais brilhante que existir no céu!

Esta parte da minha história nunca foi tarefa fácil de se ultrapassar, as pessoas que mais amo na vida estão fora do raio de alcance das minhas mãos, o que me consola é que conheço bem o tamanho que ocupam no meu coração, e é recíproco.

Bem, mas apesar disso tudo fazer parte das mudanças de humor, é preciso saber que nem tudo está perdido, e que tudo pode ser consertado (ainda bem). Há sempre luz no fim do túnel e eu sempre voltei a sorrir depois que caiu a última lágrima.

No início (pais de primeira viagem) eu e Miki sofremos muito com as mudanças de humor, não sabíamos como lidar com tantos paradoxos, muitas vezes me sentia uma fortaleza e minutos depois mais frágil que o cristal, extremamente carente e solitária. Perdemos a paciência muitas vezes um com o outro, sobretudo até o início do segundo trimestre. Depois (cobras criadas) tiramos de letra os altos e baixos, até que se transformaram em brisa fresca, com alguns picos de calor, naturalmente…Nada que não apimentasse ainda mais os ânimos. 😛

Mérito do Miki – CLARO! Uma pitada de ouvido oco, uma boa contagem até dez e muita, mas muita mesmo: PACIÊNCIA! Porque os altos e baixos permaneceram durante todo o segundo trimestre, mas agora sentia-me mais compreendida, e ainda bem… 🙂

Além do humor e do corpo em constante mudança, existe outra constância que há de ser acompanhada com lupas: a saúde! E foi assim que estive durante toda a gravidez: ATENTA.

Não estava sozinha em mim, agora tinha ‘alguenzinho’ aqui dentro, que se alimentava e sobrevivia através do meu corpo, um universo paralelo que tentei que fosse o melhor ambiente do mundo para o meu filho, digna de uma primeira classe num avião de luxo.

Passei a ter ainda mais cuidados com a alimentação e nas visitas à médica sempre jogava um turbilhão de perguntas sobre a minha saúde e a do bebé.

Magnésio, ácido fólico, ferro, um complexo vitamínico específico para mamãs e  uma alimentação minuciosamente cuidada pela minha sogra tão atenciosa foram meus grandes aliados na busca pela saúde perfeita.

Resultou…Tive uma gravidez tranquila, com peso normal (11 quilos a mais), saudável, sem grandes queixas. Nunca deixei de fazer nada por causa da barriga ou do desconforto que ela nos traz…Estou na 39ª semana e, no fim-de-semana passado, lá estava eu na praia…com a barriga ao léu e curtindo a areia branca numa sombra em baixo do meu guarda-sol. Na piscina ainda dou minhas braçadas, mais lentas, é verdade…E jogar aqua-vôlei com meu amor e minha sobrinha amorosa é divertimento garantido.

Apesar de estar sempre saudável um episódio marcou bastante esta jornada:

8ª Semana – um pequeno sangramento devido a um esforço excessivo – um sábado com um sol tímido e branco que mais tarde transformar-se-ia em uma chuva miúda durante todo o dia. Acordei como acordava todos os dias: feliz e sorrindo ao olhar a barriga (ainda nem se notava nada), agradecendo por ter tão ilustre pessoa pertinho de mim, e fazendo carinho imaginando que acariciava seu rostinho; como sempre recebi os beijinhos do Miki e a frase mais açucarada que alguém pode ouvir de manhã: “Bom dia princesaaaa!”

Levantamo-nos e começamos o nosso ballet de fim-de-semana: chichi, duche, café da manhã…

Porém, antes da grande estreia matinal o sábado tornou-se amargo…Muito amargo…Uma mancha de sangue, embora pequena, atordoou aquele acordar.

Tudo parou como estava…Nosso dia ficou congelado ali, um medo terrível de perder o motivo do nosso maior sorriso.

Seguimos para o hospital e o tempo de espera, embora curto, pareceu-nos uma eternidade. Apreensivos que estávamos quase não falamos, nossos olhos diziam tudo.

Mãos dadas, corações batendo numa sintonia frenética, bocas secas.

Até que, já na sala de exames, não pude conter minhas lágrimas de felicidade quando consegui ouvir um coração bem pequeno batendo na mesma frequência que o meu, num ritmo quase delirante.

Vi entrar pela porta, tão assustado quanto eu, o meu amor: vírgula na testa, tez rígida, olhos brilhantes…

Ao me ver chorar segurou minhas mãos e a médica dirigiu-se aos dois:

“Está tudo bem!”

Música para os nossos ouvidos, todo o medo e tensão transformaram-se em novo sorriso, ainda tímido e molhado, mas feliz!

Sobre a maternidade aprendi que não existem mães perfeitas, afinal somos humanas…Teimamos acreditar que todas as mães são iguais: ledo engano… Apesar de termos uma essência instintiva parecida (somos ‘filhos’ do Homo Sapiens) cada uma de nós aplica à maternidade um pouco de si e da sua personalidade, por isso diferem tanto: as prioridades, as maneiras de educar e cuidar dos filhos.

Aprendi que por mais que eu leia e me informe sobre ‘como cuidar de um bebê’ só saberei efetivamente quando ela estiver nos meus braços.

Tenho vaga ideia de como pode ser a mamãe Verinha e sei exatamente o ideal de mãe que gostaria de ser, mas limito-me a ambicionar ser uma mãe suficientemente boa…Não tenho a pretensão de ser a mãe perfeita, quero educá-la, transmitir meus valores, respeitá-la e se não for pedir demais que eu consiga arrancar do seu rostinho muitos sorrisos e que as gargalhadas dela passem a ser a minha música preferida.

Sobre o nascimento da minha princesa, agora que não falta muito, sinto saudade…De tê-la sempre bem pertinho de mim, nós duas em uma.

De senti-la a mexer-se na barriga, as vezes bem devagar: carinho na mamã, e as vezes de forma frenética: sambinha no sábado de Carnaval. Mas o melhor está para vir: sentir a sua mãozinha a acariciar o meu colo ou o meu rosto e mais tarde ensiná-la a sambar, agora com os pezinhos no chão, e não nas costelas da mamãe. 🙂

Sentirei saudade de acordar e sorrir ao ver a barriga, como se durante o sono esquecesse da minha condição, e voltasse a lembrar só para ter um êxtase de felicidade e alegria por ter ali tão pertinho alguém tão importante na minha vida. Contudo, penso que será ainda melhor acordar, olhar para o lado e ver um bercinho branco, cheio de coisinhas coloridas, e dentro…uma fofura cheirosa que vou agarrar e beijar muito.

Não nego que também sinto um pouco de medo e ansiedade pelo parto; não sei bem o que virá, apesar de ter lido e ouvido falar sobre essa parte da maternidade durante nove meses.

Sei que quando o último pedacinho da Giovana sair de dentro de mim ela fará parte do mundo e por isso preciso deixar de lado a faceta ‘egoísta’ de ser mãe.

Sobretudo sinto-me feliz! Em particular no terceiro trimestre senti-me mais relaxada, preparada e serena. Fiz tudo o que pude para que nunca faltasse nada à minha filha, tanto aqui dentro quanto lá fora.

Vi as coisas acontecerem devagar, cada uma ao seu tempo.

O ’Mundo da Giovana’ foi tomando forma ao longo de nove meses, e hoje é um lugar de muita ternura, segurança, amor, sorrisos, cheiros bons, higiene, diversão, borboletas na parede, MUITO rosa (espero que ela goste dessa cor 🙂 …), músicas suaves, histórias e poesias, entre muitos outros detalhes, pequenos ou não, que foram sendo pintados pelos maiores entusiastas da Princesa Moranguinho: Papai Miki e Mamãe Verinha!

Dia 12 de Janeiro eu soube da sua existência, passei a conhecer a menina dos meus olhos que pôs cor dentro do meu mundo.

O nome dela foi papai que escolheu, eu aprovei, os amigos “assinaram em baixo” através de uma enquete feita na Internet. 🙂 Os nomes que preenchiam as opções eram: Giulia, Bruna, Sofia, Carolina e Giovana.

Já agora devo confessar: nomes escolhidos com uma certa ‘má vontade’, já que eu tinha ‘a certeza absoluta’ de que a cegonha me traria um Guilherme ou um Gustavo 🙂

Mas GIOVANA agora é o nome mais falado aqui de casa 🙂

E eu estou feliz da vida porque agora terei companhia para fazer as ‘coisas de menina’, como arranjar as unhas, cabelo, ir às compras, florir e perfumar a casa, entre outras tantas coisas…

E viva a maquilhagem, os apetrechos de cabelo e o cor-de-rosa!

Já não serei minoria aqui em casa, Miki e Mike que se preparem pois já não são votos ganhos 🙂

Nossa Princesa está prestes a fazer a sua estreia 😉

Adoro pensar que já falta pouco para três pessoas nascerem:

Giovana, Mamãe Verinha e Papai Miki.

Enquanto isso não acontece continuo gravidíssima, feliz e inabalável!

Seja Bem Vinda Filha! Já te amo e ainda nem te vi 😀

Mamãe! 🙂

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One thought on “Mãe Borboleta de 1ª Viagem :)

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