Keep on Going


20170228_220658681_iosHoje recebi uma enorme lição da minha Juju…

E, contando inspirar outras vidas, resolvi partilhar aquilo que vai aqui por dentro…

“…o trabalho dignifica o Homem!” …já dizia o Meu guru maior -o Meu pai!

Tenho tentado voltar, reaprendendo tudo de novo, mas agora com uma nova condição…Voltei a ‘engatinhar’, estou reaprendendo a dar os primeiros passos com as limitações que recebi ‘de graça’ enquanto lutava para continuar viva…do Meu novo corpo tenho tirado couro e sangue em busca dos meus limites (físicos e psicológicos)…

Este corpo novo está longe de estar a 100%, cada semana uma caixinha de surpresas, cada dia uma superação…todos os dias uma briga interna comigo mesma, porque quero andar e correr, mas meu corpo ainda só me permite gatinhar…

Passei a ver as sequelas do cancro como os caminhos que são criados pela lava depois da erupção do vulcão, parece que nunca mais irá aparecer naquele caminho uma sombra de vida, um sopro sequer…

…há dois anos eu iniciava esta briga, e apesar do tempo ser meu amigo, este não tem trazido de volta muito daquilo que ficou para trás… ‘pedaços’ importantes de mim foram se perdendo por este caminho e eu, resiliente, fui (vou) me adaptando como posso…transformando a minha vida na mesma medida da minha necessidade…

Não está sendo fácil…de todo!

É muito difícil fazer o balanço diário dos meus dias, eles são, sobretudo, frustrantes…fica sempre um gosto amargo quando lembro da profissional que fui…e projetar no futuro as minhas limitações deixa-me, por vezes, desanimada…nestas horas tento consolar-me, tentando dizer-me que o passado ficou lá atrás, e que preciso aceitar esta nova pessoa na qual tenho me transformado…

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Durante o processo de tratamento, enquanto me transformava por dentro, eu me transformei, de dentro para fora, como pessoa…e agora encontro-me novamente no casulo, desconfortável, no meio de um processo, tentando encontrar as armas e os escudos que preciso para prosseguir realizando sonhos…sim, é um processo doloroso…não é fácil ver expostas as minhas fragilidades e limitações, não é fácil lidar com a frustração de ‘não conseguir’, não é fácil lidar com as perdas e não é fácil ter que contar com a compreensão e a compaixão das pessoas…eu preciso perdoar-me todos os dias…eu preciso fazer, todos os dias um exercício de aceitação…eu preciso dizer-me, todos os dias, que por mais que eu me esforce (e eu vou até ao meu limite!), o corpo cede, e é como ter a mesma cabeça num corpo diferente…eu sei…eu preciso dar tempo ao tempo (já ouço esta frase tantas vezes que já virou um mantra)…sinto que vivo num mundo paralelo, devagar, enquanto a vida acontece -frenética- ao Meu redor…

Bem…hoje foi um destes dias difíceis…depois de lutar dias a fio contra uma inflamação num dos poucos gânglios que me restaram no braço direito, e uma tendinite que me rendia dores avassaladoras no mesmo braço, recebi um novo nome para o meu ‘curriculum’: Linfo edema de Grau II, irreversível! –não me vou debruçar sobre este assunto, basta dizer que não é nada legal! 🙂

Estive tristonha, cabisbaixa, pensativa…e como não poderia deixar de ser, minhas filhas –sempre alertas!- perceberam…e quando elas percebem que estou assim meio ‘sei lá’ elas colocam em prática aquilo que aprendem observando o exemplo do pai 🙂 …é fofo demais observar a dedicação delas e a vontade que têm de me fazer sorrir de volta.

Eu ganho mimos, colo, piadolas, sorrisos, convites para assistir séries que eu gosto em baixo de mantinhas perfumadas, convites para jogos de tabuleiro, puzzle de milhões de peças, passeios a beira da ria…um sem número de tentativas de dizer-me aquilo que realmente importa…que o que importa é mesmo isto: aquilo que me faz sorrir 🙂

Elas questionaram porque eu estava triste, queriam entender o porquê…queriam descobrir a razão para tentar minimizar aquela tristeza, e como sou sempre honesta com elas, respondi-lhes que ‘estava cansada de viver com limitações, cansada de sentir dores, cansada de perder coisas…’

Ganhei abracinhos… 🙂 …senti no fundo do coração delas compaixão, empatia…e enchi o peito de orgulho por ter aqui tão perto de mim duas pessoas tão pequeninas e tão grandiosamente valorosas.

A Juju, em silêncio, depois do abraço, pegou no comando da televisão e procurou no youtube, escrevendo, em ‘passos’ de caracol, a palavra: BAILARINA ANIMATION.

Uma lista de vídeos apareceu na tela, e ela, ainda em silêncio, procurou pacientemente por uma animação específica, até que a encontrou e disse: “Scarlett Mamã! Tens que ver este filme…”

…e eu vi… :..)

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(Para ver a animação clica em cima do link): https://youtu.be/JOWiPx5VRUU

…e realmente foi uma grande lição que aprendi…

“Hope is being able to see that there is light despite all of the darkness.”

…e se não houver uma luz no fim do túnel, eu ligo a minha lanterna 😉 …sonhos são para serem realizados, não para serem guardados na gaveta e esquecidos… 🙂

E com uma lagriminha no canto do olho, a Juju abraçou- me dizendo que

“…a bailarina voltou a dançar, e tu também vais voltar a dançar mamã…”

… e eu abracei-a, grata, feliz… :.)

…e voltamos a montar o puzzle de milhões de peças…cheias de esperança, respirando RESILIÊNCIA…

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