…sobre o número cinco


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…E lá se foi o número CINCO!

Fecha-se um ciclo para outro se abrir…e assim eu CONTINUO o ‘processo’ de renascer…

É hora de fazer um balanço, em jeito de ‘dar notícias’ 😉

Regra #1: Mantenho a minha FÉ muito maior que o meu medo…

E com esta premissa eu não quero dizer que NÃO tenho medos, e que eles não são grandes, ou mesmo gigantescos! … e que não os tive ou que até o final desta ‘aventura’ não os terei…

Eu tenho sim…e muitos! Eu tive, sobretudo, quando recebi o diagnóstico… :/

…Os medos – todos eles – revezam-se em mim, as vezes vêm todos juntos e é muito difícil de gerir!

Quando tudo começou, o meu primeiro medo, mesmo o primeiro? O que veio na mente assim que eu ouvi o que nunca queria ter ouvido – o diagnóstico?

Foi o medo de não ver as minhas filhas crescerem…E foi precisamente este, o motivo das minhas primeiras lágrimas.

Curioso foi nunca ter tido medo das dores que sentiria, nem das dores do corpo, nem das dores da mente…tomei consciência que iria sentir e que tudo era parte do processo de cura, era por um bem maior, então…deixa doer! 😉


Mas os medos eram (e ainda são) mais que muitos, de coisas relevantes ou não…
  • De deixar coisas por fazer, por exemplo, organizar a caixinha de recordações da infância das minhas fofinhas…
  • De deixar o backup de fotografias desorganizado (já não está! Tratei disto esta semana! )…
  • De não chegar a chamar o meu Miki de ‘meu velho’
  • De não cuidar dos meus netos para as minhas filhas divertirem-se com os maridos…
  • De nunca ter celebrado O AMOR, numa grande festa de casamento…
  • De deixar telas em branco…páginas por escrever…sementes por plantar…
    coisas por dizer…

(…)

Entre outros tantos…

Mas eu trato de visitar cada um dos meus medos, vou lá dentro deles, arrombo as portas das casas deles, torno-me íntima…me sinto o menino Max da história clássica da literatura infantil, lindíssima, Onde Vivem os Monstros (Were the Wild Things Are) de Maurice Sendak.

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Visto o meu fato de lobo e vou de viagem até o lugar onde vivem os MEUS monstros, torno-me rainha deste lugar e aviso com propriedade:

“Quem manda nesta joça sou EU!” 😀

Os monstros – os medos – até tremem…

Depois volto para minha casa, tiro o fato do lobo e vou servir o jantar

Com fé os medos deixam de aparecer…mas se voltam eu abano a cabeça, eles desfazem-se no ar e o meu pensamento é sempre o mesmo:

“Definitivamente não estou disponível para ‘acabar’ agora…ainda tenho muito por fazer!”

…E assim entra em ação a minha FÉ!

Fé na medicina, na Dra Margarida, nas ciências e na sua evolução, fé nas pessoas à minha volta que me ajudam de tantas formas, e sobretudo: FÉ EM MIM MESMA! ‘Naquilo’ que me guia, que me empurra, que arranca de mim (lá de dentro) esta vontade doida de continuar, de terminar o que comecei, de não deixar páginas em branco…

Eu nunca deixei de acreditar que eu poderia suportar todas as dores do mundo, qualquer uma! Para atingir o meu grande objectivo: SOBREVIVER!

Sou teimosa! Perseverante! Desistir é uma palavra que evito pronunciar, colocar em prática está fora de questão!

E já passei pela metade deste caminho cheio de turbulências…E já me doeu tanto…E eu já sofri tanto…E continua doendo, e eu continuo sofrendo…E eu continuo acreditando com otimismo, porque fé em ação é OTIMISMO!

E o caminho continua difícil, embora desta vez…UFA! Foram SÓ dores musculares, nas articulações e nos ossos 🙂 Além das agruras cumulativas que são a fadiga (cada vez pior) e a baixa imunidade.

Já engordei, já inchei, já caíram pêlos, cabelo, cílios e sobrancelhas caindo e me deixando com cara de peixe…cai a bunda também…sinto os músculos como gelatina, e provavelmente irão cair as unhas…Que sorte! Ainda não caiu nenhum dente!… 😀

Pois é, eu disse SÓ…e é tanta coisa…:D

Mas esta foi a primeira dose da segunda bateria de químicos, a primeira, a ‘vermelhinha’, é a mais poderosa! Foram as quatro primeiras doses…É a que mata tudo e qualquer coisa que vê pela frente, praticamente veneno pra matar cavalo!

😀

A segunda bateria é composta por quatro doses da ‘branquinha’…uma fofa… Mais seletiva e elegante, pelo menos faz um estrago menor 🙂 …mas não menos importante:

Foram dores que me faziam retorcer e chorar, me impediram de fechar as mãos para agarrar objetos, caminhar era difícil e não havia posição que me valesse de um conforto, mesmo que mínimo…eu caí muitas vezes (sim, três vezes na rua e ri às gargalhadas, para levantar parecia uma velhinha de 87 anos, tive sempre ajuda para levantar, que acabava contagiado com a gargalhada 😀 ), e as coisas que tentei segurar muitas vezes voavam para lugares inusitados…pareço ter duas mãos esquerdas, e nenhuma delas funciona a 100% 😛

Mas eu tive um bónus, chamado analgésico!

E viva o analgésico!

Que me permitia alguma autonomia (4 horas) até a toma seguinte…Ora, se a toma era de 6 em 6 horas (isso é matemática pura ), a cada 6 horas eu só tinha dores durante 2 horas! Que maravilha!
É o meu corpo de borboleta doendo com as modificações que anda a sofrer… deve ser a asinha a formar-se, as cores a definirem-se… o corpo de lagarta a desaparecer para dar lugar a borboleta…

E que grande felicidade!

Tão feliz eu estive durante estas 3 semanas!!! Mesmo com toda a dor!
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…e eu tirei o lencinho da cabeça e usei-o no pescoço! 🙂

Não estive no casulo, não tive náuseas, e não me senti envenenada e drogada.
O meu casulo cresceu, virou a minha casa toda, e no tempo da autonomia do analgésico eu fiz muitas coisas que nunca tinha tempo para fazer…Li muito, pintei muito, escrevi, organizei, cuidei, aprendi, cozinhei, brinquei… AMEI, por inteiro…

Desta vez, em três semanas contabilizei três semanas fantásticas, e neste momento estou sem voz, com dores no ouvido esquerdo e dores e sintomas de uma gripe esquisita…mas feliz 😀

E minha FÉ continua inabalável!

Que venha o número SEIS! E que venham as DUAS últimas doses! 😉


(latim fides, -ei)
substantivo feminino
1. Adesão absoluta do espírito àquilo que se considera verdadeiro.
2. [Religião] [Religião] Sentimento de quem acredita em determinados ideias ou princípios religiosos. = CRENÇA
3. Religião, culto (ex.: fé cristã, fé islâmica).
4. [Religião] [Religião] Uma das virtudes teologais.
5. Estado ou atitude de quem acredita ou tem esperança em algo. = CONFIANÇA, ESPERANÇA ≠ CEPTICISMO, INCREDULIDADE
6. Fidelidade.
7. Prova.
8. Testemunho autêntico dado por oficial de justiça.

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One thought on “…sobre o número cinco

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