Happy Woman Details


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Vera Ximenes, natural do Rio de Janeiro, educadora de infância, mãe de 2 filhas.
Recebeu a notícia que ninguém quer receber. Cancro. Mas, nunca deixou de sorrir. Para explicar às filhas a realidade cruel que o destino lhe reservou, criou uma história, a “Mãe Borboleta”. Uma história que virou livro e que já atravessou fronteiras.

Vera e a filha mais nova, Juliana, abriram a porta de casa ao Happy Woman Details (HWD) para uma conversa inspiradora. O resultado é este que aqui mostramos. A história de uma mulher que é a prova viva de que o poder do amor é invencível.

HWD: Quem é a Mãe Borboleta?

Vera: É uma mãe preocupada com o bem estar das filhas e acima de tudo é uma mãe muito otimista, porque acredita sempre num final feliz. E tenho, tenho sempre um final feliz apesar de todos os pesares.

HWD: E quem é a mulher por detrás da história da Mãe Borboleta?

Vera: Sou a Vera Ximenes, sou natural do Rio de Janeiro e estou em Portugal há 10 anos. Vim para cá por amor, mas isso é outro tema, é outra história… Adoro viver em Portugal. Quando vim para cá, fiz o meu marido prometer que um dia a gente ia voltar para o Brasil. Hoje, já tivemos oportunidade de voltar, mas agora quem não quer sou eu. Sou muito feliz aqui.

HWD: Mas a vida pregou-lhe uma partida…

Vera: Exatamente. Estava indo tudo tão bem… Eu tenho uma casa confortável, tenho duas filhas lindas, um marido amoroso, um trabalho que me preenche… e de repente… uma doença, muito grave. Eu não queria acreditar, como é que é possível?! Estava tudo tão bem…

Filha Juliana: O cancro.

Vera: Exatamente, o cancro. Vou cair num lugar comum, todas nós falamos o mesmo, mas é como se me tivessem tirado o chão. A gente fica… a medir as coisas, a pensar que tudo é tão pequeno… Se a gente não tem saúde não tem nada.

HWD: Como é que encarou toda essa transformação?

Vera: No dia 4 de fevereiro o meu mundo caiu, eu fiquei sem chão, eu não sabia se ia ver as minhas filhas crescerem, eu não sabia o que viria, eu não sabia sequer a gravidade. Sabia que era grave, mas não sabia quão grave era porque a partir dali a minha agenda mudaria… iam me virar do avesso.

Para mim este foi o momento mais difícil de todos, o momento do diagnóstico.

Depois, comecei a digerir, aos bocadinhos… e comecei a transformar-me.

Pensei, eu não cheguei até aqui para morrer na praia, não, de jeito nenhum. Vamos lá. Eu só tenho um caminho, é lutar e é por aí que eu vou. Eu não tenho outra opção e se é assim, eu vou fazer da melhor forma que é com otimismo, pensando que vai dar certo, e sorrindo, porque eu nunca deixei de sorrir. Claro que chorei muitas vezes… mas acreditei, acreditei sempre. Foi o pulo do gato. Deixei de me vitimizar. Nunca pensei sequer porquê comigo… nada. Aconteceu.

HWD: O seu marido ou o príncipe sapinho, papel que assume na história que escreveu, teve um papel fundamental.

Vera: Foi muito duro para ele. Foi muito pior do que ele demonstrou. Por isso é que ele é o meu grande campeão, é o meu ídolo, porque eu sei que não deve ter sido fácil. Eu me colocava muitas vezes no lugar dele. Mas ele estava sempre sereno. Houve só uma fase em que ele ficou muito ansioso devido a um exame que me escondeu porque se pensava que a doença podia já ter chegado ao fígado, e ele escondeu esse exame, para eu não ficar mais ansiosa, mas não, não era nada. Mas… foi sempre essa apostura dele, sereno, confiante… confiou em mim. Não vou dizer que ele não teve momentos de muita tristeza, quando imaginava que nós não íamos ficar velhinhos, sentados numa cadeira de baloiço, de mãos dadas, porque é esse o sonho dele. Mas, eu disse-lhe: “Olha, eu sou muito forte amor. Não fica assim, confia em mim, eu não vou deixar isso escapar, a nossa história de amor não termina aqui.” A partir daí, quando eu também me senti confiante, ele também passou a ter mais confiança. E me cuidou o tempo todo, me deu banho quando eu precisei, me carregou, me deu ombro, chorou comigo…

HWD: Para dar a notícia às suas filhas, cria a “Mãe Borboleta”.

Vera: Exatamente. Passada aquela confusão toda…

Eu preciso contar às meninas que eu estou doente, de alguma forma. Era uma de 7 e outra de 5 anos. Eu tenho de arranjar uma maneira de falar, mas uma maneira que elas não fiquem machucadas, de uma maneira que faça com elas fiquem confiantes, como eu. E é muito dificil, porque a sociedade diz que o cancro mata. Portanto, se o cancro mata, a minha mãe vai morrer. Eu quis desmistificar isto, mudar esse tipo de pensamento. É certo que é uma doença muito grave, mas hoje em dia já não mata como matava antigamente. Mas, confesso, tive muito medo que o pensamento delas fosse esse.

Passei alguns dias ansiosa, pensando como é que eu vou contar a essas piolhas que eu estou doente, como?! Pensei muito, estive noites sem dormir… Elas percebiam que estava triste, perguntavam… Um belo dia, estávamos desenhando como sempre, porque adoramos desenhar e elas adoram desenhar borboletas, e foi aí que surgiu a ideia. A borboleta, o ciclo de vida da borboleta… e comecei a desenhar. Ao mesmo tempo ia imaginando uma história. Eu estava muito nervosa. Eu não sabia se aquilo ia dar certo. Eu queria protege-las da má notícia, porque do resto todo eu não ia conseguir. Eu queria era transformar o resto todo, que era muito mau, em alguma coisa que elas conseguissem perceber que no fim ia dar certo. Foi assim que surgiu a “Mãe Borboleta”. Depois, sentei uma de cada lado e contei a história.

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HWD: E depois?

Vera: Depois, elas fizeram mil perguntas. A primeira pergunta foi a Juju (Juliana) que fez e perguntou “Então, tu és a mãe borboleta?” e eu disse “Sim filha, a partir de hoje sou.” Depois, vieram os porquês. “Mas porquê? Vai cair o cabelo? E porque é que vai cair o cabelo?”. Então, eu tive necessidade de fazer mais desenhos, porque eu acho que a melhor maneira de chegar a uma criança, de lhe explicar algo, é através da imagem. Desenhei a mãe borboleta, a caírem os cabelos, a cirurgia da maminha, a maminha sai mas a mamã fica, o bichinho vai para o lixo… Expliquei tudo de novo, de uma forma mais concreta. Porque quem precisava até mais dessas respostas era a Giovana, mais do que a Juliana. A Juliana fazia perguntas mais preocupada comigo e com a minha vaidade, do tipo “Mamã, mas vais ficar careca, vais ficar triste?”. A Gio (Giovana) queria respostas sobre a doença, o porquê?, como é que entrou o bichinho (como eu chamava)… e com os desenhos, elas perceberam.

Mas a mensagem principal disso tudo era uma mensagem de otimismo.

HWD: Juliana, porque é que mãe escreveu o livro “Mão Borboleta”?

Juliana: Para dizer que ela tinha cancro.

HWD: E o que acontece?

Juliana: É uma lagarta verde que se transforma. Quando ela abre o casulo, transforma-se em borboleta e fica com poderes. Pode ser borboleta e pode ser uma mãe. E há o príncipe sapinho… que é o meu papá. No fim da história ele também se transforma em borboleta. Todos nos transformamos.

HWD: E a história tem um final feliz?

Juliana: Sim.

HWD: É preciso ser forte para ultrapassar uma situação destas. Ser mulher faz diferença?

Vera: Sim, de certa forma, acho que sim. Adoro ser mulher. Acho que temos uma força especial. Porém, nem sempre é assim… também é fundamental ter muito apoio. Mas sim, é preciso ser muito forte, isso é verdade. Uma pessoa que passa por uma doença destas tem de ser mesmo muito forte. Porque todos sabemos que vamos morrer um dia, mas estar do lado de uma possibilidade… Quando temos uma doença tão grave é dar um beijinho na morte. É muito mau ter de lidar com a possibilidade de morrer. Ninguém está preparado.

HWD: A felicidade ganhou um novo sentido?

Vera: Eu passei por uma grande transformação. Diria que passei a observar mais os pormenores, porque passavam ao lado. Eu posso exemplificar com coisas do dia-a-dia. Eu agora sou super feliz porque consigo fazer o pequeno-almoço para elas. Antes não conseguia porque era uma correria. Eu tinha de ir para o trabalho, onde tinha de estar às 8h30 da manhã, era sempre a correr… e não ficava feliz. Afinal, eu sou cuidadora e… estava sempre aos berros, acelerada. Eu não permitia que as minhas filhas se distraíssem com pormenores enquanto estavam a comer ou a vestir-se. Estava sempre com pressa. O tempo… o tempo…

Eu diria que o que agora me faz feliz são esses pequenos detalhes do dia-a-dia. Não é uma grande viagem, é ser feliz todos os dias um bocadinho.

Agora se as minhas filhas vão na rua e querem pegar numa flor, observar… é dar essa oportunidade e perceber que é isso é que é importante. É observar que é uma flor que tem um amarelo diferente. São esses pormenores que me fazem feliz. Assim, consigo ser feliz todos os dias. Todos os dias tenho alguma coisa muito feliz para contar.

À noite vou para a cama e faço e contabilidade e o saldo é sempre positivo. Eu aprendi, com essa transformação, a transformar coisas muito pequeninas em coisas gigantes e que me fazem feliz.

HWD: Juliana, numa palavra, dirias que a tua mãe é…

Juliana: Feliz.

Vera: Eheheh adorei!

 

http://happywomandetails.com/  😉

 

 

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