Pormenores – Cabelos ao Vento!


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viu os seus cabelos voarem com o vento espalhando um perfume de cereja com bolo de chocolate

Nada mais justo do que comemorar este dia relembrando o dia que inspirou a primeira ilustração que fiz do livro Mãe Borboleta… 🙂

Foi catártico desenhar a imagem da Mãe Borboleta deixando os cabelos voarem ao vento…Relembrar este dia não me deixa minimamente triste, mas orgulhosa por ter passado por tudo isto com uma força hercúlea que me fez crescer como ser humano.

A imagem não poderia representar melhor o momento que eu vivia…perder os cabelos, vê-los cair, um a um – devagar…ver no chão ou nas mãos aquilo que mais nos identifica como seres vaidosos…realmente não é fácil.

É uma imagem nostálgica…Forte, mas sobretudo…feliz!

No dia anterior ao dia do corte de cabelo eu não consegui dormir…Passei a noite acordada, digerindo (ou tentando digerir) a minha nova imagem…

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Eu sentia dores, que nem consigo explicar, no couro cabeludo…não conseguia encostar a cabeça no travesseiro, não podia tocar nos cabelos…Desesperador…

Levantei-me…enquanto o meu príncipe sapinho dormia…

Fui para a varanda…procurei a Lua, depois fechei os olhos e deixei que o vento levasse os meus pensamentos…sorri…imaginei os fios voando como feixes de luz no ar…como pequenas flores dente de leão iluminando a noite…

Tinha lavado os cabelos com o shampoo de cereja das meninas e neste dia lhes tinha feito um bolo de chocolate, lembrei-me do cheiro delas, do dia feliz que tivemos…e, com os olhos fechados, senti ‘o cheiro doce do dia’…

Disse mil vezes para mim mesma: “É só cabelo!” 🙂

Eu tinha os pés descalços e apesar de estar de vestido de dormir, eu não tinha frio, nem calor…

Sentia-me em sintonia com tudo a volta, e, assim com uma ligação direta com o universo, senti-me parte disto tudo… permiti que a Lua me acariciasse a pele com o seu reflexo, permiti ao vento que me penteasse os cabelos, pela última vez…chorei…E as minhas lágrimas lavaram o meu rosto e deram voz ao meu coração…

Foi linda e significativa a minha despedida das madeixas, foi intenso e comovente…

Senti uma força de dentro para fora, descomunal…Sequei as lágrimas, abri os olhos, pus-me em bicos de pés, abri os braços, sorri e agradeci a Lua…

Hoje sou esta metamorfose ambulante 🙂

Os meus cabelos crescem, potentes, selvagens, enraivecidos… 🙂 Têm personalidade própria, deixou de obedecer ao meu código genético, cresce como quer e lhe apetece…As vezes tenho caracóis, as vezes está todo para cima, ou para o lado, ou para trás, ou para onde lhe entender 😀

E eu? Amo cada uma destas facetas do meu novo cabelo, também ele se transformou…Está livre como eu…

E permito-me olhar, a cada dia, para o espelho e ver nele refletido uma mulher diferente…como me apetecer ser neste dia…por dentro e por fora 😉

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