…sobre o número seis


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…E lá se foi o número SEIS!

Fecha-se um ciclo para outro se abrir…e assim eu CONTINUO o ‘processo’ de renascer…
É hora de fazer um balanço, em jeito de ‘dar notícias’ 😉


…Foi como morrer por dentro…e voltar a nascer uma semana depois…


Eu vi o meu corpo tóxico, jogado pelos cantos da casa, inerte, imóvel, incapaz…vi-me fraca, perdendo os sentidos, desmaiada…senti-me entrar em autocombustão de dentro pra fora, vi meus músculos estrangulados com dores, vi minhas lágrimas curarem essas dores, e no meio deste turbilhão eu vi a FORÇA que eu tenho para carregar esta carga tão pesada…

Esperei os dias passarem com paciência, sentia as toxinas matando as minhas células, depois senti-as a diluírem-se, num degradê de cores fluorescentes e tóxicas…
Lembrei-me da Fênix…senti-me uma Fênix…Voltei ao meu passado e me ‘vi’ Fênix outras quantas vezes… Este é um dom que não é exclusividade do pássaro…

Já renasci das cinzas outras vezes! Recomeçar é o meu sobrenome…

tatuagens-femininas-costas-fenix

Só paro com uma destas nas costas 😉 Fonte: http://letmebeweird.com/2014/01/23/tattoo-inspirations-costas/

E desde fevereiro já renasci seis vezes…Num padrão alucinante de morre e ressuscita…
E a minha força, a da cabeça, não a do corpo debilitado e doente, continua intacta, intocável…A tristeza me visita vez em quando, as lágrimas me beijam a face, mas vão embora pela mesma porta que entraram…

Porque a minha FORÇA tem dois nomes poderosos: Giovana e Juliana! 🙂
Elas me tiram da inércia, vibram comigo cada vez que eu saio daquele “coma químico”, são as melhores companheiras que eu poderia ter…Garantem a minha estabilidade emocional…Acarinham a minha alma e a minha careca  😀

Dizem que eu sou linda todos os dias, enfeitam a minha cabeça com os seus laços…

– ‘Estás fantástica mamã!’

… me apoiam para subir as escadas, me seguram, me ajudam a levantar, preocupam-se francamente, perguntam se estou bem (a cada cinco minutos)…

… ‘quer uma frutinha, mamã?’

… ajudam com boa vontade, me colocam no colo…

‘…e uma aguinha gelada, queres mamã?’

… fazem as minhas vontades…são crianças, e contêm as vozinhas esganiçadas para eu não sofrer (mais), estão ainda mais independentes porque há dias em que ‘a mamã não pode…’E elas compreendem…
Compreendem tudo! Esperam pelo nosso final feliz, com a mesma fé que eu imprimo, acreditam, confiam em mim, sabem que é só uma fase… Elas são Especiais… São emocionalmente seguras, o que me garante algum conforto como mãe… afinal, eu sou a Mãe Borboleta…

E foi com a metáfora do ciclo de vida da borboleta que eu lhes dei a notícia, e expliquei todos os passos desta nossa ‘nova vida provisória’, e foi assim que nasceu uma história, que é delas, para elas…cada letra e cada traço no desenho…

E como elas merecem!
E eu sei, com esta minha inteligência de lagarta (provisoriamente lagarta  😛 ), que tudo seria diferente se eu não tivesse as minhas filhas ao meu lado…mais difícil, mais áspero, menos confortável…a minha força – não sei se seria a mesma.

Só sei que tem sido assim…e ainda bem!

Desta vez contabilizei dias muito ruins, e não contava com eles, imaginei que seria menos duro como a dose anterior…Melhor não contar com o ‘achismo’ e pensar mesmo que cada dose é UMA, e que nenhuma tem sido igual a outra, só mesmo no padrão ‘dorme-acorda, morre-ressuscita’ porque a cada dose, dói uma coisa diferente e a debilidade é cumulativa…

A minha aparência também mudou, e muito! É uma confusão quando me olho ao espelho e não me reconheço, também é confuso quando olho as fotografias espalhadas pela casa…não há uma vez que não desça as escadas cá em casa e não sinta saudades de mim quando olho o conjunto de fotografias expostas na parede…

Estou careca, cinzenta, inchada, sem energia, vejo mal, tenho pouca memória, as dores nas articulações me deixam estabanada – cai tudo das mãos…

“ESTOU assim! Não sou assim…”

É a minha frase favorita quando o coração começa a apertar as lágrimas aqui por dentro…estou habituada a sentir saudades…mas nunca tinha sentido saudades de mim…é duro…mas também passa 😉

Desta vez tive tempo de viver momentos deliciosos num passeio com a família…um fim de semana prolongado…especial…foi bom sair do casulo (ou mudar o casulo de lugar 😛 ). Senti-me bem, viva!

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Larguei a peruca, e os lencinhos… e pus a careca ao léu 😀 …e me senti livre…e senti saudade da ‘minha vida’…
Recebi alguns olhares…mas estava bem resolvida, sendo protegida pela minha família linda!

Espera! ‘A careca ao léu’? Não! Que já tenho os primeiros cabelinhos crescendo 🙂

São fofinhos, fininhos, bons de passar as mãos…é a minha ovelhinha…são cabelinhos muito macios, têm uma textura diferente dos ‘originais’, ainda estão cheios de toxinas, por isso nascem diferentes 😉
Já comecei a fazer planos para eles… 🙂  Cores, formas e tamanhos…Acessórios e tudo o que eles têm por direito…

E por falar em futuro…Dia 25 (quinta-feira) lá estarei, tomando a penúltima dose…estou cansada…mas até é bom momento para estar…à partir de quinta já só faltará UMA! 😀
E apesar de cansada sigo feliz e cheia de FORÇA…modificada por dentro e por fora, modificando por dentro e por fora…


Apesar de estar muito tempo sozinha em casa, sinto-me completa, gosto cada dia mais de estar em minha companhia, as ‘conversetas’ que tenho comigo mesma são cada vez mais agradáveis…estou de bem com a vida que tenho. 😉

…então…
Que venha o número SETE! E depois…que venha a ÚLTIMA dose! 😉

for·ça |ô|
(latim tardio fortia, do latim fortis, forte, forte)
substantivo feminino
1. Faculdade de operar, de executar, de mover, etc.
2. Fortaleza.
3. Rijeza.
4. Poder da musculatura.
5. Violência.
6. Poder.
7. Solidez.
8. Energia.
9. Resistência.
10. Viveza.
11. Firmeza.
12. Impulso.
13. Esforço.
14. Motivo, causa.
15. Grande porção; abundância.
16. O grosso ou a parte principal de alguma coisa.
17. Troço (de gente armada).
18. Auge, pino; ocasião em que mais se faz sentir.
19. Número, quantidade.
20. [Popular] [Popular] Hérnia, quebradura.
21. [Mecânica] [Mecânica] Potência, causa motriz.

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2 thoughts on “…sobre o número seis

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