HOPE


Hoje uma das minhas redes sociais lembrou-me porque este é um dia tão importante na minha jornada desde que fiquei doente…Há quatro anos, exatamente quatro anos, a minha vida mudou por completo!
A imagem que ilustra este dia é uma placa, uma seta que indica um caminho – onde está escrito HOPE. Nos comentários, lá estava o meu Miki, sempre a postos: “É só seguir…”

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Eu tinha esperança…não a esperança vã de não estar doente, mas sim a esperança de que tudo iria correr bem no final, apesar de todo o medo e toda a ansiedade.
E eu segui esta placa, e nós seguimos…Este talvez tenha sido o marco inicial de toda a caminhada que viria…no fundo eu sempre soube que estava doente, mas ainda não tinha a certeza, e em alguns dias, depois das biopsias, exames e afins eu viria a ter a certeza…fosse qual fosse o resultado eu já tinha começado a mudar coisas dentro de mim que nunca mais voltariam a ser iguais.
A iminência de se saber portador de uma doença hostil faz-nos, inevitavelmente, mudar para sempre a forma como vemos a vida, os problemas e as nossas prioridades.
Vim dar um passeio pelo meu blog…reparei que há quase um ano não escrevo, e nem me leio…optei por me afastar durante este ano… cada palavra lida é uma memória dolorida que faz doer de novo…ainda tenho feridas abertas.

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Mas hoje quando vi aquela placa de ESPERANÇA, senti vontade de cá vir…enchi-me de coragem para, em jeito de dar notícia, também lembrar de como tudo começou e fazer um paralelo de como estou agora.

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Reler algumas partes desta história de dores me faz sofrer…rever algumas fotos dão-me arrepios na alma…a fotografia que ilustrou a primeira dose da quimioterapia é especialmente comovente…ao meu lado o meu grande amor…pálido, apático, triste, cansado…atrás do meu sorriso toda a esperança e a ingenuidade de quem não tem a menor noção do que iria passar.


Este blog pode ser uma poderosa ferramenta para as mulheres que me leem diariamente em busca das respostas às perguntas que eu também perguntei um dia… para mim foi uma caixinha de memórias onde eu guardei as palavras que eu nunca quis escrever, mas foi (é!) catártico, importante, cada vez que cá venho escrever…um vômito que me faz libertar toda a azia pelos momentos difíceis que passei/passo.

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Achei necessário ‘comemorar’ esta memória com um conselho para estas mulheres que hoje me leem: cheguei a conclusão de que ESCREVER foi das coisas mais necessárias para mim enquanto estava a lutar pela vida… quando olho para trás e me vejo naquela espiral de medo e dores, releio na memória a presença (mesmo que não fosse física) das pessoas que estavam verdadeiramente ao meu lado. Escrevendo eu tornava tudo mais claro, para quem torcia pela minha saúde, e para mim mesma. Era um olho gigante que me via de fora, analisando aqueles momentos e me trazendo para uma realidade, que embora fosse muito dura, era recheada de sutilezas, esperança e bons sentimentos.

‘ESCREVER’ A DOR, POR UM LADO, NO FUTURO, VAI NOS FAZER LEMBRAR DO QUE Sentimos… MAS NO MOMENTO EM QUE ESCREVEMOS DIVIDIMOS COM O UNIVERSO O QUE VAI AQUI POR DENTRO…AMENIZANDO ESTAS MESMAS DORES E TORNANDO TUDO MAIS SUBJETIVO!

Não posso dizer, hoje, que estou da forma que gostaria de estar…as mazelas que guardo comigo dos tempos difíceis não me permitem esquecer da luta, tampouco avançar na mesma velocidade que há quatro anos avançaria se não estivesse doente. Mas posso afirmar que encaixei a minha vida num puzzle perfeito de prioridades que me fazem quase esquecer que algum dia estive doente.
Tive que aprender a me defender, a priorizar, a dar tempo ao tempo, a ter paciência comigo...
Por um lado, o frenesim dentro de mim, uma hiperatividade latente, de vida, de querer viver e fazer tudo ao mesmo tempo, agora! Por outro, a minha condição, ainda incapacitante para realizar pequenos (grandes) feitos no meu dia-a-dia…
Fazendo um balanço ao olhar para o meu último post, e ao reler o excerto:
“…E quando há datas específicas que me fazem lembrar, obrigatoriamente, que sou uma doente oncológica ao invés de chamar em mim a tristeza de tempos de luta eu chamo a alegria de ser uma sobrevivente. As mazelas que ficam da briga com a doença me impedem de esquecer totalmente a minha condição, mas fico muito feliz em perceber que gradualmente algumas memórias vão se enfumaçando na minha memória…num degrade perfeitinho que começa com uma cor muito intensa e vai passando para um quase nada de cor…”

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Percebo porque não frequentei este lugar durante um ano…se por um lado existe a felicidade de ser sobrevivente, por outro há as memórias das dores que se refletem no medo de voltar a adoecer…
Um medo tão inevitável quanto aterrador…cada vez que há exames, análises e consultas é um filme de terror…uma vida em suspenso – que me faz pensar que estou a suster a respiração em baixo d’água…um pesadelo!

AINDA ASSIM, ESCREVERIA CADA UMA DAS PALAVRAS QUE GUARDO AQUI…
A boa notícia é que ganhei o ‘refresco’, após os últimos exames, de ser vista não a cada dois meses, mas a cada seis meses… 😀

Parece pouco, parece nada…mas para mim é muito…significa me afastar da doença e quase esquecer do cheiro do hospital, que ainda hoje me dá náuseas quando lá vou.
Por cá vou SEGUINDO… contando os dias em comprimidos rosados de Tamoxifeno, cada dia menos um… falta pouco mais de um ano, até lá, e além, a esperança será a minha melhor companhia, de dias melhores, de saúde e confiança num futuro de vida e amor por todos os lados!
Amanhã é dia de mamografia…lá estarão as minhas melhores companhias de sempre:

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O amor da minha vida…e a ESPERANÇA de que estará tudo bem! 😉

Tim Tim! 😀

2015/2016/2019

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One thought on “HOPE

  1. Querida Vera,
    Confesso que tive receio de abrir este post pois sabia que não tinhas dado aula na Boom por teres ido fazer exames e como há muito que não davas notícias…enfim…tive receio! Imagino por isso a angústia que é aguardar os resultados que mudam tantas vidas!
    PARABÉNS QUERIDA VERA !
    QUANTO ALÍVIO, QUANTA FELICIDADE,QUANTA VIDA PARA SER BEM VIVIDA !
    ÉS UMA VENCEDORA ,SEM DÚVIDA E UM ANO VAI PASSAR RAPIDINHO COM ESSA VIDA TÃO PREENCHIDA DE REALIZAÇÕES E OBJECTIVOS CONCRETIZADOS QUE TU TENS !
    Daqui a um anito estaremos aqui a fazer “TCHIM TCHIM ” 🍻 novamente !
    Beijinho grande,grande do coração 💗
    “V” de VITÓRIA ✌

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