Que Bela Porcaria de Bolo :)

 

 

Um bolo de laranja, aparentemente inofensivo…

Bolo de Laranja

Uma receita infalível feita num robô de cozinha que ‘nunca’ falha…

Um cenário perfeito: mesa posta para o lanchinho ‘como deve ser’, toalha lavada, louça branquinha, guardanapos delicadamente dobrados. O pão já estava chegando à sua meia idade no forno, moreno, estaladiço, quente…parecia gritar pela manteiga que, indefesa, iria com certeza derreter-se toda por ele.

Olho o cenário…lindo…perfeito…mas falta qualquer coisinha… um bolo talvez!

Vamos ao bolo, de laranja! Assim comem a fruta, tudo junto e misturado 🙂

O bolo estava lindo, parecia apetitoso, mas a primeira dentada denunciou-o sem pena:

‘…tem um travo…’

‘…a textura…humm…não sei…’

‘…falta açúcar…’ (ahh…sim, sim…eu roubo sempre no açúcar dos bolos 😛 )

De repente eu tinha, à minha volta, três implacáveis juízes do Master Chef, cada um a sua maneira dissertando sobre aquele…aquele…bolo vá! 🙂

 “Pode deixar que não contamos a ninguém mamã!”

(disseram elas em coro!)

-Não contam a ninguém o quê?

-Que fizeste um bolo imperfeito!

-Mas…porquê?

-Porque tu fazes sempre tudo perfeito!!!

Oh my! Até senti comichões na cabeça de ouvir aquela frase…Eu realmente adoro ‘cenários’ perfeitos, mas o que me traz de volta a realidade da vida são as imperfeições das coisas…

Uma mancha mal lavada de tomate na toalha faz-me recordar do dia em que elas esborracharam a pizza na toalha…

Uma birra durante um jantar com amigos refresca a ideia de que as minhas filhas não devem ser robôs programados para fazerem tudo o que eu quero…

Discutir e discordar do Miki, e, por vezes, odiar esta mania que ele tem de querer ter sempre razão, refresca a memória do motivo pelo qual eu o amo, porque ele tem mil defeitos, mas as suas qualidades continuam a imporem-se aos seus ‘defeitos’…

A imperfeição das coisas traz-nos de volta à Terra! E saber conviver com elas é ganhar mais de um milhão de possibilidades de ser feliz apesar de qualquer pesar!

 

Eu até gosto do empenho e da dedicação que doo de mim à tudo aquilo que faço, mas já não tenho a pretensão de querer fazer sempre tudo impecavelmente bem…

Se fosse há uns tempos outros, talvez tivesse ficado contente com o elogio disfarçado…mas hoje não…Fazer tudo perfeito já não é um elogio para mim…Não há nada mais que eu queira ser (tanto) do que um ser imperfeito!

Nestas minhas ‘andanças’ por caminhos tortuosos descobri que os ‘felizes’ são seres completamente imperfeitos e livres de qualquer expectativa, e com consciência plena disto!

…Então passei a perdoar-me mais vezes, e não exigir tanto… e passei a medir aquilo que realmente interessa e faz a diferença na minha vida.

E que delícia foi observar a imperfeição daquele bolo de laranja, trazendo para aquela mesa perfeita, tanta vida, tantos sorrisos, diálogos…trazendo à tona um pouquinho de cada um de nós, mostrando-nos por dentro duma maneira deliciosamente doce (apesar do seu sabor amargo).

Pensei que se não fosse o bolo imperfeito a fotografia do cenário poderia estar num destes blogues que vendem vidas perfeitas e glamourosas…uma fotografia de uma mesa bem posta, cheia de luz, de glamour, de pormenores minuciosamente pensados…Artifícios para encher de esperança os olhos das leitoras desavisadas, que passam a sentirem-se as piores mães do mundo porque na correria do dia não têm tempo sequer de colocar a mesa…de sentarem-se como deve ser, para fazer uma refeição ao lado da família…

Os filhos dos blogues das mães perfeitas nunca têm ranho no nariz…não fazem birras nos lugares mais inusitados, não quebram copos nos restaurantes, não deixam os talheres caírem… as suas roupas são sempre impecavelmente passadas e engomadas, os sapatos não têm lama, têm lustro e quando estão na cozinha (reluzente e extraordinariamente branca e limpa), não há sujidade, os bolos são perfeitos e deliciosos e a única fotografia minimamente real que será permitida é um close up da criança com uma pontinha de chocolate ao lado da boca…

Não tiro o mérito de quem se propõe a vender tal produto, até dá jeito ir lá de vez em quando ver o que está in ou out no mundo da maternidade, mas eu, como mãe e pedagoga, consigo distanciar-me de todo aquele aparato visual e imaginar a guerra diária que aquela família trava ao viver a sua rotina…uma deliciosa e natural guerra diária que nos torna humanos, e não seres impecavelmente perfeitos em fotografias cheias de luz.

Contudo, uma mãe menos atenta poderá olhar para este cenário perfeito e perguntar-se:

como eles conseguem e eu não?

“Os meus filhos bagunçam o quarto quando brincam, tiram tudo do lugar, as minhas almofadas da sala nunca estão em pé, estão sempre espremidas num dos cantos do sofá!

 Eu não estou sempre linda e serena, o meu cabelo não está sempre arranjado e não tenho as unhas sempre perfeitas…o meu corpo não é magro e esguio depois que fui mãe…quando cozinhamos juntos a cozinha vira um campo de guerra!”

Perceber que nada é tão perfeito assim como nos querem vender, atrás das câmaras fotográficas, ajuda!

E quem disse que perfeito é este mundo perfeito cheio de coisas no seu devido lugar?

E isto não é uma ode a imperfeição e ao desleixo…ter brio naquilo que fazemos é uma grande qualidade, contudo, é preciso ter sempre em mente que somos humanos, não máquinas, e que por isso podemos SIM! Errar…O ‘pulo do gato’ é saber perdoar-se depois, e voltar a tentar…por que não?

Ao longo da história da mulher, com tantas transformações, sinto que chegamos num ponto de caos, precisamos reaprender a felicidade com aquilo que nos fez mudar ao longo de tantos anos…Exigem-nos cada vez mais por menos, e nada serve se não for perfeito…Temos que ser profissionais perfeitas e polivalentes, mães amorosas e atentas, esposas dedicadas com casas perfeitas e perfumadas, corpos perfeitos (apesar dos filhos nos modificarem)…A imagem da mulher perfeita está longe de ser a mulher real que somos…é hora de reaprender a gostar de nós com todas as nossas falhas e imperfeições…Não permitir que nos inundam de imagens e exemplos de mulheres com corpos esculturais, profissionais excelentes com casas impecavelmente organizadas.

 

Temos outros caminhos por onde seguir, não precisamos colocar a fasquia alta, criar grandes expectativas, querer ser aquilo que nunca seremos…

Aceitar a vida como ela é!… e tirar partido disto para trabalhar a nossa felicidade!

…Acho boa ideia para começar 😉

E que tal fazerem agora um bolinho de laranja? 😀

 

lanche

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Desembrulha!

  
Então vamos aproveitar? 😉
Hoje mandei um bolo de chocolate para a festa de Reis da escola…a frase na caixa do bolo: 

A nossa maior prenda é a vida!!! 

Tá esperando o que? Desembrulha! 😊💕
A receita do bolo está aqui:

http://www.ideiasereceitas.com/bolo-de-chocolate-que-sai-sempre-bem/

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Colcha de Retalhos

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A vida é feita de pequenas e grandes histórias boas ou más…

…que costuradas umas às outras vão dando forma a pessoa que somos, que nos tornamos…somos uma colcha de retalhos que está sempre em construção…e o lindo de imaginar a vida assim é que não terminamos da mesma forma que começamos, estamos em constante transformação (ainda bem)… nós e tudo a nossa volta…

Hoje um dos pedacinhos da minha colcha completa dez anos…o pedaço que mexeu com a minha mesmal, transformando o meu interior profundamente…

Fez-me sentir os sentimentos mais ambíguos, dor e felicidade tudo junto e misturado…sem que eu soubesse que isso fosse sequer possível.

Há dez anos tomei a decisão mais difícil da minha vida, mas não hesitei…e num ato impulsivo, sentindo-me livre, honesta com os meus propósitos e objetivos, e liberta de qualquer paradigma, reuni toda a força que andava parada cá dentro, mexi-me por dentro, coloquei-me numa posição desconfortável decidindo assim o meu futuro…

Olhei para trás e não quis aquele cenário para o resto da minha vida, estava numa posição confortável, estava sendo reconhecida pelo meu trabalho, em visível ascensão pessoal e profissional, mas vivia dias vazios…sem objetivos grandiosos, sem amor…

Olhei para frente e, apesar de sentir medo do desconhecido, reconheci ali o cenário perfeito para a vida que sempre sonhei: uma vida plena de amor e dedicação ao lado da pessoa que eu escolhi para envelhecer ao lado…e só!

Era uma vida sem promessas, sem emprego, sem família, sem amigos…Um bilhete direto para nenhures e nada, um ‘planeta’ distante da minha casa com apenas um habitante e uma promessa: AMOR!

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E foi assim que tomei a decisão mais difícil da minha vida, troquei um tudo por um nada que pra mim era mais que TUDO!

Mergulhei de cabeça sem saber sequer se havia água em baixo…simplesmente deixei o meu coração guiar-me, confiando que ele sempre quererá o melhor para mim…

E hoje fazendo um balanço destes dez anos, olhando para esta minha colcha de retalhos, vejo que eu precisei trilhar este caminho, e realmente o meu coração, mais uma vez, não estava enganado…a minha colcha, agora muito maior, conta histórias de amor, de dedicação à família, de entrega, de recomeço, de aprendizagens, de tombos e desgostos necessários, de tristezas incontornáveis, de saudades que ardem sem parar, de dores que tive que aprender a conviver…Mas sobretudo, o que sobressai nesta colcha é o AMOR que costura todos os seus pedaços… Não há nada, nem sequer um pequeno pedaço desta colcha, que não esteja costurado com amor…porque eu jamais estarei onde não houver amor.

E relembrando aquele 26 de dezembro de 2005, impossível é conter as lágrimas…passeio pelas imagens daquele dia tão triste e tão feliz…revejo as despedidas da minha família, no aeroporto, sinto de novo os sentimentos que senti…vejo cada expressão da minha mãe, do meu pai, das minhas irmãs…cada um deles a reagir a sua maneira…

Frases soltas eu volto a ouvir daquele dia de despedidas, que enchem o meu coração de saudade, mas também de orgulho por não ter impedido que mais um pedaço desta colcha fosse costurado…

‘Vai ser feliz filha! Nós estaremos sempre aqui a sua espera…aconteça o que acontecer você é nossa…’ (meu pai)

‘Tenho orgulho de você maninha…’ (Vivi)

‘Tenho medo que nos esqueça…’ (Vaninha)

‘Voa minha sementinha, para longe da mamãe…’ (minha mãe)

Estas frases ecoam em mim desde sempre…A saudade e a nostalgia do ninho me acompanham nesta longa caminhada…Aprendi a conviver com o vazio que nunca conseguiu ser preenchido, ainda sinto-me parte da minha manada, apesar de estar longe da minha selva…

Vejo de longe o costurar das colchas das minhas irmãs, e cada vez que nos revemos, ganhamos uma nova ruga…ficamos satisfeitas por sentir o nosso amor incondicional, de longe…perdemos muito pelo caminho, mas permanecemos unidas apesar de tudo!

Sobre o Planeta com um habitante e um sentimento? Também mudou…

Hoje tenho um planeta rodeado de alegria! Fitas cor-de-rosa, bonecas e tartarugas espevitadas enfeitam os meus dias ao lado das pessoas mais importantes da minha vida…as minhas filhas chegaram para dar cor, odor e som aos meus dias…e todos os dias, entra, neste planeta, uma pessoa nova e especial…Já não me sinto sozinha, já não estou sozinha…construi ao meu redor um lugar de amor, cheio de pessoas especiais que me querem bem…

…onde a reciprocidade permeia cada pormenor destas relações de afeto…

Sinto-me feliz, realizada, capaz de multiplicar o amor que recebo agora…

Sinto-me satisfeita por ter dado, há dez anos, este grande passo rumo a felicidade…

Sinto-me apaixonada, como estive quando cá cheguei, pelo homem que o meu coração escolheu…

Sinto-me orgulhosa da minha história de vida, e espero estar aqui para contar o tamanho da minha colcha de retalhos passados mais dez anos desta vida que eu escolhi para mim…

Untitled

…continuo a cantar a música que foi a minha maior inspiração em dias de decisão…

https://youtu.be/RWzBgkOAJfc

 

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